Como os algoritmos substituem nossa capacidade de julgar
A suposta contradição entre real e virtual não cabe mais à sociedade moderna. Não apenas porque os processos virtuais fazem parte do dia a dia, mas principalmente porque a realidade humana sempre foi virtual.
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A palavra, a linguagem e o pensamento lançaram o ser humano para além da natureza. Inauguramos um não-lugar. Em outras palavras, criamos algo que não existia fisicamente, mas começou a produzir efeitos e sentidos na própria realidade, na materialidade dos corpos.
O virtual é uma extrapolação do espaço físico; aquilo que não existe materialmente, mas habita outro lugar, outro espaço. Nesse sentido, a consciência, a palavra, a linguagem e o universo simbólico são virtuais que nos tornam humanos.
Somos uma espécie híbrida, dividida e atravessada pelo físico e pelo virtual desde que fabricamos os primeiros instrumentos. Em 2001: Uma Odisseia no Espaço, Stanley Kubrick apresenta a cena emblemática de um primata que descobre, em um osso, uma possibilidade de ação que extrapola sua função material.
A diferença entre o primata e a fabricação desse primeiro instrumento é maior do que a diferença entre esse instrumento e uma nave espacial. Daí em diante, o virtual passou a fazer parte de nossas vidas.
Habitando esse não-lugar, tivemos de criar uma reflexão sobre uma nova morada que desse algum sentido para essa liberdade........
