Na zona da morte
A escalada da montanha mais alta do mundo – o Everest – tem uma particularidade, compartilhada apenas pelos picos mais elevados, de altitude superior a 8 mil metros. É a Zona da Morte, nome dado por um médico suíço que, ainda no século passado, descreveu os principais efeitos sobre o organismo humano da exposição continuada à falta de oxigênio e baixa pressão atmosférica em alturas superiores a 8 mil metros do nível do mar. Nessa altitude, o corpo humano literalmente “está morrendo”. E o colapso, com desorientação geral e perda de consciência, sobrevém em pouco tempo, razão pela qual nenhum alpinista fica por lá, no topo, comemorando a façanha. É chegar, fazer uma foto e retornar de imediato a altitudes menos letais.
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Impossível não lembrar dos efeitos devastadores de uma escalada ao Everest quando comparamos a métrica da perda de oxigênio com a perda do oxigênio financeiro à medida que a taxa Selic avança além dos 8% acima da variação do IPCA. Ingressamos na Zona da Morte do custo financeiro [ver quadro]. Como se sabe, a taxa Selic não é apenas juro de referência na captação de recursos para o governo federal. Por ser um patamar básico, uma Selic mais elevada também joga para cima todas as demais camadas de risco e, portanto, de juros no sistema brasileiro de empréstimos. Se o juro sobe na colocação de papéis públicos, subirá também para o capital de giro das empresas, para os consumidores, na aquisição de um imóvel e para um investimento em infraestrutura. Estamos hoje na mesma posição do alpinista que está morrendo enquanto........
