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"Algoritmo não sustenta escala sem estratégia", diz especialista

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23.02.2026

A inteligência artificial já está no radar das grandes empresas brasileiras. Há orçamento, pilotos em andamento e atenção da alta liderança. Mas, segundo André Nunes, Partner & Managing Director da Beta-i Brasil, ainda há um abismo entre testar soluções e transformá-las em vantagem estrutural. O desafio, ele afirma, não está no algoritmo e sim na estratégia. “A maior parte das grandes empresas brasileiras ainda está na fase de experimentação, com alguns casos já integrados a processos específicos, mas poucas realmente operando em escala estratégica.”A avaliação é direta. Segundo André, o país vive um momento de proliferação de provas de conceito, especialmente em marketing, crédito, atendimento e logística. Existem casos bem-sucedidos, interesse crescente e executivos atentos ao tema. Ainda assim, converter iniciativas isoladas em capacidade organizacional contínua é exceção.

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“O principal obstáculo não é tecnológico.” Para ele, o entrave está na desconexão entre IA e estratégia corporativa. Muitas iniciativas nascem em áreas de tecnologia ou inovação, mas não dialogam com metas financeiras nem com prioridades estratégicas. Soma-se a isso uma governança fragmentada, arquitetura de dados pouco integrada e ausência de métricas unificadas de impacto no P&L. Enquanto a inteligência artificial for tratada como agenda paralela e não como infraestrutura competitiva, a escala seguirá limitada.

Quem está fazendo diferente

Algumas empresas que atuam no Brasil já começam a consolidar a IA como vantagem estrutural. No setor financeiro, André cita Nubank, C6 Bank e BTG Pactual, que utilizam inteligência artificial em modelos de crédito, prevenção a fraudes, personalização de ofertas e eficiência operacional.

No varejo, Carrefour e Renner aplicam IA em recomendação de produtos, gestão de estoque, precificação dinâmica e personalização da jornada do consumidor. Em logística e mobilidade, Localiza e GOL utilizam algoritmos para roteirização, otimização de frota, manutenção preditiva e gestão de ativos.

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Para ele, IA deve ser gerida como um portfólio estratégico, com alocação de capital, critérios explícitos de priorização e revisão executiva recorrente. A diferença entre inovação episódica e capacidade organizacional está na conexão entre estratégia e execução. O custo de ficar para trás O risco de não estruturar inovação e IA como competência contínua é, segundo André, cumulativo. “O risco não é apenas ficar para trás, é tornar-se estruturalmente menos competitivo ano após ano.” Empresas que não desenvolvem essa capacidade passam a operar com margens pressionadas, menor velocidade de decisão e experiência inferior ao cliente. A perda de relevância acontece de forma progressiva, acompanhada de dificuldade para atrair talentos e maior vulnerabilidade frente a competidores orientados por dados. A adoção de IA, portanto, não é apenas modernização tecnológica, é escolha de posicionamento competitivo. De olho nesse movimento, a Beta-i estrutura sua estratégia para 2026 com foco em apoiar empresas na absorção, escala e captura de valor real das iniciativas de inovação e transformação.André afirma que a empresa desenvolveu uma nova oferta voltada à gestão da transformação, integrada à FCamara, ecossistema empresarial de tecnologia e inovação do qual faz parte. A proposta é apoiar organizações na remoção de bloqueios internos, estruturação de governança, adoção interna e aceleração da implementação tecnológica. A aposta está na combinação entre visão estratégica, roadmap de inovação com IA, gestão interna do processo de transformação e capacidade de execução.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.


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