A pátria em chuteiras e o desafio de Ancelotti no comando da Seleção
A memória é traiçoeira, ainda mais do nosso futebol. Com o passar do tempo, vitórias parecem inevitáveis e derrotas são acidentes de percurso. É o caso da Seleção Brasileira de 1970, lembrada hoje como a maior equipe de futebol de todos os tempos, liderada por Pelé, que encantou o mundo e conquistou definitivamente a Taça Jules Rimet. Entretanto, quando desembarcou no México, aquela seleção estava desacreditada.
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A recente série da Netflix sobre a campanha de 1970, embora misture fatos e ficção, recupera essa verdade esquecida: o Brasil chegou à Copa cercado por dúvidas, como acontece agora com o time do técnico italiano Carlo Ancelotti. O trauma da eliminação na Inglaterra, em 1966, ainda estava vivo. A substituição de João Saldanha por Zagallo provocara enorme polêmica. Havia interferência política do regime militar. E dúvidas sobre a condição física de Pelé e Tostão e a capacidade do supersticioso técnico Mário Jorge Lobo Zagallo.
Mas houve uma convergência de astros. O grupo encontrou equilíbrio raro entre orientação tática, disciplina coletiva e liberdade criativa. Com Pelé, Tostão, Jairzinho, Rivellino, Gérson, Clodoaldo, Carlos Alberto, o futebol brasileiro mostrou uma característica singular: fundir o talento individual ao espírito coletivo. Mais do que vencedora, aquela seleção tornou-se uma representação do país. É o que ainda não acontece agora.
Gravação com Vorcaro abala........
