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O país dos arquitetos

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22.06.2026

Existe um número que, toda vez que conto em público, provoca a mesma reação: incredulidade. O Brasil tem 244 mil arquitetos ativos registrados no Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Minas Gerais (CAU/MG). Forma cerca de 20 mil novos por ano. Em proporção à população, somos o país com mais arquitetos do mundo.

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Não o segundo. O primeiro.

Para entender o que isso significa, vale colocar o número em perspectiva. Os Estados Unidos — 335 milhões de habitantes, a maior economia do planeta, um mercado imobiliário que movimenta trilhões — têm 121 mil arquitetos licenciados. Menos da metade do Brasil, uma população 56% maior. Proporcionalmente, temos três vezes mais arquitetos por habitante do que os americanos.

O Japão, que constrói com uma sofisticação técnica que nos deixa embasbacados, tem 370 mil arquitetos de primeira classe — um número maior no absoluto, mas dentro de uma população de 124 milhões, e com uma diferença fundamental: a licença japonesa de "kenchiku-shi" não separa o arquiteto do engenheiro estrutural. Quem assina um projeto no Japão domina o cálculo e o desenho. A formação leva anos de estudo intenso e prática supervisionada antes de qualquer exame. O mercado é exigente. Poucos entram; quase todos os que entram trabalham.

A China, que nos últimos 30 anos construiu mais do que a humanidade inteira construiu em toda a história anterior, tem apenas 11 arquitetos certificados de Classe I por 100 mil habitantes — o menor índice entre os países analisados. O exame de certificação reprova mais de 90% dos candidatos. O resultado é que a China, a maior construtora do mundo, precisou chamar Zaha Hadid, Rem Koolhaas e Norman Foster para assinar seus projetos........

© Estado de Minas