A feiura como sintoma e a urgência da beleza
A beleza importa. E importa para além do apelo de locais “instagramáveis” ou para a valorização imobiliária; importa como um elemento vital para a própria engrenagem da vida urbana. A beleza importa para a cidade, mas importa de forma ainda mais contundente para as pessoas que ali habitam. Um ambiente urbano esteticamente estimulante, harmônico e bem cuidado contribui ativamente para a saúde mental, elevando o estado geral de felicidade, nutrindo a criatividade e, acima de tudo, fortalecendo o engajamento afetivo do cidadão com o seu lugar.
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O oposto disso, infelizmente, é o que temos testemunhado com assustadora frequência. A feiura no espaço urbano não é inofensiva; ela é o sintoma da decadência estampado, a olhos vistos, como um agente permanente e silencioso provocando angústia, tristeza e depressão. Cidades feias produzem cidadãos desengajados e pessoas que transitam sonâmbulas pelo espaço, sem qualquer pertencimento, sem qualquer vínculo.
Essa relação entre o estético e o espírito humano não é nova. Em "Crepúsculo dos Ídolos", Friedrich Nietzsche já argumentava que a feiura é, na verdade, um sintoma fisiológico e psicológico de degeneração e exaustão. Para o filósofo, uma sociedade que se encontra em declínio perde a sua capacidade intrínseca de produzir vitalidade, nobreza e beleza. O resultado é a produção de uma arte – e, por extensão, de uma arquitetura – que........
