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A casa que veio de navio

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06.04.2026

O Brasil é um país tropical. Essa afirmação, banal na sua aparente obviedade, esconde uma contradição profunda: nossa arquitetura, em sua maior parte, não é. Das cidades históricas de Minas Gerais às avenidas de Belo Horizonte, São Paulo ou Recife, o que se vê é uma arquitetura que trata o clima como adversário a ser vencido — pela espessura das paredes, pelo ar-condicionado, pela ausência de varandas e beirais generosos, pelo fechamento das fachadas ao sol e ao vento que, em outro modelo construtivo, seriam aliados.

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Coloque lado a lado uma casa tradicional de Bali e uma casa colonial brasileira. Mesma latitude aproximada, mesmo sol implacável, mesma chuva abundante, mesma umidade. O resultado são dois projetos completamente diferentes, como se o clima fosse um detalhe irrelevante no processo construtivo — e, no caso brasileiro, foi exatamente isso. Enquanto a arquitetura vernacular do Sudeste Asiático desenvolveu, ao longo de séculos, um sofisticado repertório de soluções bioclimáticas — pilotis, beirais generosos, estruturas vazadas, ventilação cruzada, coberturas de sapê —, o Brasil herdou uma arquitetura feita........

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