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O erotismo como uma forma de estar no mundo

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23.03.2026

Na mitologia grega mais antiga, Eros não era visto como o deus do romance ou do sexo, como se pensa comumente, mas sim como uma das forças mais primordiais do universo. Depois do Caos e da Terra, ele surge como potência de união, fecundidade e movimento vital. Muito antes de ser reduzido ao amor romântico ou ao desejo sexual, Eros nomeava aquilo que põe a vida em marcha e nos arranca da inércia, lançando-nos para a criação e para a continuidade do mundo. Platão, no livro “O banquete”, dá intensidade filosófica ao deus: Eros é filho da pobreza (Penia) e do Recurso (Poros), o que significa que o desejo nasce da falta, mas não se esgota nela, já que é justamente da falta que nasce sua força criadora.

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No entanto, nossas sociedades foram empobrecendo o erotismo e o conceito antigo foi quase totalmente perdido. Aquilo que na tradição antiga remetia a uma força criadora e de intensificação da vida acabou sendo reduzido quase que exclusivamente ao campo sexual. O sexo, por ser a face mais visível da energia........

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