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O vício em bets está destruindo as finanças de milhões de brasileiros.

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Roberta tem 54 anos, mora em São Luís do Maranhão, tem uma loja e sempre foi muito batalhadora. Em 2023, ela fez sua primeira aposta online: R$20. Ganhou R$689 e não sacou. Três anos depois, acumula mais de R$1 milhão em perdas, incluindo uma casa de R$230 mil vendida para pagar dívidas de jogo. O marido e a filha até hoje não sabem. 

Essa história não é exceção. É o retrato de um problema que já afeta milhões de famílias brasileiras, e que chegou a um patamar que assusta até economistas.

O que são bets e por que elas viciam tão rápido?

Bets são plataformas de apostas esportivas online, legalizadas no Brasil desde 2019. O modelo parece simples: você aposta um valor num resultado, torce e pode ganhar ou perder. O problema é que essas plataformas são desenhadas por especialistas em comportamento humano para manter o usuário apostando, e gastando, o máximo possível.

Roberta descreveu com precisão como o vício se instala: "Aí foi indo de R$20, de R$20 fui passando para R$50, de R$50 fui passando para R$100, de R$100 para R$200, é assim, a escadinha. Ninguém começa com muito. Quando eu pensei, eu já colocava R$10 mil por dia." Esse padrão de escalonamento gradual é uma das características mais documentadas do jogo compulsivo.

Os números que mostram a escala do problema

Segundo o Raio X do Investidor, pesquisa da Anbima com o Datafolha, 17% dos brasileiros apostaram em bets em 2025, crescimento de 14% em 2023 para 15% em 2024 e 17% em 2025. Parece pouco? Estamos falando de quase 29 milhões de pessoas. E entre quem já apostou pelo menos uma vez, o número salta: quase três em cada dez brasileiros já usaram plataformas de apostas.

Os jovens lideram esse crescimento. A geração Z, entre 16 e 29 anos, concentra 27% dos apostadores, seguida pelos millennials, com 22%. São exatamente as faixas que cresceram com o celular na mão e foram bombardeadas por influenciadores promovendo bets nas redes sociais. Entre os mais velhos, o hábito cai drasticamente, 60% da população diz nunca ter usado aplicativos de apostas, número que sobe para 73% entre os mais velhos.

O tamanho financeiro do problema é igualmente assustador. Em 2025, a receita bruta das empresas reguladas de apostas no Brasil alcançou R$37 bilhões, só das plataformas com autorização do governo. E o custo social disso vai muito além do dinheiro apostado: os danos associados às bets geram um custo social estimado em R$ 38,8 bilhões por ano no Brasil, com quase 80% desse valor ligado a questões de saúde mental até mortes. 

Bets e dívidas: uma combinação explosiva para o bolso 

Muito se fala sobre os juros altos e o cartão de crédito como os grandes vilões das finanças pessoais. Mas um estudo do Ibevar em parceria com a FIA Business School chegou a uma conclusão........

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