O fotógrafo da Santa Ceia
O baiano Gervásio Baptista, mal passados dos dez anos de idade, subiu no banquinho para ganhar altura e encontrar o enquadramento. Trabalhava no estúdio Foto Jonas para aprender o ofício de fotógrafo. Esticou o corpo, depois curvou-se sobre o defunto para achar o melhor ângulo. Faltava só mais um pouquinho, só mais um pouquinho..., quase, quase... e o tamborete virou. O pequeno fotógrafo desabou sobre o morto e ambos foram ao chão. O menino que brincava com caixinhas de fósforo como se fossem máquinas fotográficas, diante da estreia desastrada, em lugar de desistir teve certeza: vou por aí!
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Nenhum dos presentes ao velório, naquela primeira metade dos anos 30, poderia prever sem parecer um piadista, mas começava ali uma carreira longa e brilhante. Descoberto por um senador, de quem fez um 3 x 4, Gervásio foi contratado pelo jornal O Estado da Bahia e depois pela revista O Cruzeiro, ambos do lendário Assis Chateaubriand. O seu talento levou-o em seguida a outra revista, a Manchete, de Adolpho Bloch, onde trabalhou até seu fechamento, em 2000. Fotografou todos os presidentes brasileiros e alguns estrangeiros durante sua trajetória........
