O Voo do Urubu
Me chamam de ave de rapina, mas a ave que admiro mesmo são os urubus. Do alto de onde moro, acompanho de perto a dança das nuvens, o balé dos eucaliptos e o voo dos urubus. Contrastando com azuis de todas as tonalidades, vejo de perto esse mestre da leveza que poucos apreciam. O urubu, é um filósofo alado de plumagem negra, ensina-nos diariamente sobre a arte de viver sem pesos desnecessários. Já os considero meus vizinhos. De vez em quando pousam no beiral da minha varanda. Trocamos os olhares e quase nos cumprimentamos. Eles sabem que eu os admiro.
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Enquanto acumulamos preocupações, o urubu simplesmente se deixa levar pelas correntes térmicas, aproveitando o que a natureza oferece sem cobrar nada em troca. Ele não pergunta de onde vem o vento, apenas abre as asas e aceita o convite para bailar.
Vejo-os aqui do alto, flutuando, e penso em quantas reuniões, compromissos e angústias poderiam ser resolvidos se adotássemos um pouco dessa leveza. O urubu não tem pressa. O urubu não tem agenda. O urubu não tem smartphone com notificações intermináveis pipocando a cada segundo.
Há quem o considere um animal repugnante, injustiça total! O urubu é o mais higiênico dos seres, passando horas limpando suas penas. E ainda presta um serviço inestimável à saúde pública, transformando a morte em vida nova, a carniça em energia para seu voo majestoso.
Apesar de também termos a capacidade de transformar o pútrido em propulsão, não o fazemos com a........
