menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Hitchcock em Pernambuco

5 0
31.01.2026

Em Paris, pouco antes do Natal, minha mulher e eu começamos a esbarrar em Wagner Moura na rua por toda parte. Aonde quer que fôssemos, lá estava ele. A afirmação não é delirante e reflete a verdade. Só não deve ser tomada de maneira absolutamente literal. O que víamos não era o ator em carne e osso, mas o pôster promovendo a próxima chegada de “O agente secreto” aos cinemas da capital.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

A foto, onipresente, mostrava Marcelo, seu personagem, com ar enigmático, fazendo jus ao título de maneira mais direta do que o próprio filme. O pôster ostentava-se em várias das célebres “colonnes Morris”, as estruturas cilíndricas usadas em Paris para anunciar estreias de filmes e de peças de teatro.

Presentes na paisagem urbana parisiense há 150 anos, as colunas são citadas por Marcel Proust. Em “Para o lado de Swann”, o narrador nos conta como, ainda criança, já amava o teatro, de um “amor platônico, pois meus pais nunca tinham me permitido ir” e como toda manhã “corria até a coluna Morris para examinar os espetáculos que ela anunciava”.

Sempre associo a Proust esses cilindros parisienses de topo verde-escuro e quase quatro metros de altura. Vê-los é como comungar de um momento lúdico com o narrador de “À procura do tempo perdido”. Na minha percepção, adquiriram, desde dezembro, valor adicional.

Foi no Rio, algumas semanas depois, um Rio vibrante de turistas, de calor intenso, praias lotadas mesmo à noite e calçadões congestionados de pedestres, que assistimos ao filme de Kleber Mendonça Filho. Em coluna........

© Estado de Minas