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Futebol na Opéra Bastille

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22.06.2026

Minha mãe, Thereza Quintella, estava na igreja no Rio um domingo à tarde, em janeiro. Terminada a missa, o padre avisou: “peço que permaneçam aqui dentro ainda por algum tempo, porque há tumulto na rua, vindo da praia”.

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Passei pela mesma experiência no final de maio, em Paris. Não na missa, mas na Opéra Bastille. Ao final do espetáculo, o diretor da Ópera de Paris, Alexander Neef, apareceu no palco, antes mesmo de os artistas virem ser aplaudidos, e anunciou: “alguns de vocês, durante o intervalo, terão visto nos seus celulares que o Paris Saint-Germain derrotou o Arsenal e ganhou a Liga dos Campeões. Com isso, há tumulto na Praça da Bastille. Pedimos que permaneçam sentados até avisarmos que é seguro sair”.

Pensei tratar-se de alguma brincadeira, uma forma jocosa de celebrar a vitória do time. Afinal, a partida acontecera longe, em Budapeste. Inocentemente, eu passara o intervalo no bar do teatro, devorando um sanduíche, lendo o programa. Tudo dentro da minha política de viver o presente, de me concentrar na situação em que me encontro. Ligara o celular apenas para escrever para Londres, à presidente de uma fundação cultural privada que promove montagens de óperas na China e na Europa. Recomendei-lhe que viesse a Paris assistir àquela produção.

A marcha fatal de Napoleão sobre a Rússia

Haveria muito a dizer sobre “Ercole amante”, ou “Hércules apaixonado”. Composta em 1707 por uma veneziana residente na França, Antonia Bembo, a obra até recentemente nunca fora ouvida, nem mesmo na época da artista. A partitura dormira abandonada na........

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