A marcha fatal de Napoleão sobre a Rússia
De chefes de Estado ou de governo, não esperamos que tenham tempo de ler. Acreditamos estarem eles ocupados em dinamizar a economia, garantir o respeito às instituições e às leis nacionais e inserir seus países no cenário internacional de acordo a normas estabelecidas. Supomos que seu contato com o texto escrito se limita a subsídios, relatórios e pontos de conversação preparados por assessores, de que necessitam para calibrar sua atuação.
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Se eu pudesse contudo recomendar um livro aos governantes de hoje, seria “1812: A marcha fatal de Napoleão rumo a Moscou”, de 2004. Seu autor é o historiador britânico e polonês Adam Zamoyski. O tema tratado nas 550 páginas é muito conhecido: o fiasco da invasão da Rússia por Napoleão Bonaparte. Tenho em casa outro relato sobre o assunto, de 1985, por Nigel Nicolson, que se tornou famoso ao descrever, em “Retrato de um casamento”, as vidas de seus pais, o diplomata Harold Nicolson e a escritora Vita Sackville-West.
Somente na Rússia, nos conta Zamoyski, há mais de cinco mil volumes publicados sobre os eventos de 1812. “A marcha fatal” destaca-se por ser de leitura compulsiva. Recorre aos depoimentos de muitas testemunhas da época, inclusive russas, citadas extensamente no corpo do livro. É como um coral em que as vozes de vários cantores se combinam para produzir um grande efeito conjunto.
Adam Zamoyski nos mostra o que acontece quando um chefe de Estado militarmente poderoso decide iniciar uma guerra sem saber ao certo qual é seu objetivo concreto e sem levar em conta adequadamente os........
