Entrevista | ‘Playoff deve diminuir a mala branca no fim da Série B’, diz presidente do Juventude
Fábio Pizzamiglio, presidente do Juventude, brincou que só vai saber se a mudança de regulamento da Série B foi boa quando a competição acabar e ele conhecer a posição de seu time. “Se ficarmos entre terceiro e quarto, com certeza vamos pensar ‘deveria ter votado contra’ (risos)”.
A segunda divisão nacional em 2026 terá um playoff para definir dois dos quatro clubes que vão disputar a elite em 2027. Campeão e vice sobem direto, mas do 3º ao 6º jogarão uma fase eliminatória, após as 38 rodadas, 3º x 6º e 4º x 5º, para se conhecer os demais times que subirão.
Convidado do Bate-Bola desta semana, Pizzamiglio disse que a mudança aumenta o apelo esportivo e comercial da competição, fazendo com que mais clubes estejam vivos pela classificação até as últimas rodadas, mas também pode dificultar uma prática comum em retas finais quando times precisam incentivar vitórias de rivais.
“Vai dar uma energia maior pro final do campeonato, o playoff sempre tem um apelo maior do que pontos corridos. A gente via também em outros anos ocorrer muita mala branca no final de campeonato, para ficar entre os quatro, isso eu acho que vai dar uma diminuída também”, disse Pizzamiglio.
Outra alteração foi não parar a Série B durante a Copa do Mundo, entre junho e julho, como estava previsto no calendário inicial divulgado pela CBF. Para ele, pode ser importante porque vai espaçar as rodadas, tirando jogos do meio de semana, apesar da concorrência com as partidas do Mundial que podem tirar a atenção da Segunda Divisão.
Ele também falou sobre a renegociação de valores de direitos de transmissão com os investidores da FFU, a antiga LFU, bloco que detém os acordos comerciais da maioria dos clubes da Série B. O Juventude vai receber aproximadamente R$ 15 milhões por 2026, além do custeio de R$ 3 milhões a R$ 3,5 milhões de logística, que será bancado pela CBF.
“Temos um problema na Série B muito grande que é a logística. Temos clubes, como nós, que estão no extremo sul do Brasil, tem alguns no extremo norte. Se eu fizer três voos fretados, por exemplo, vai praticamente toda a receita da competição”.
Pizzamiglio admitiu que o Fortaleza, por ter um acordo mais vantajoso nos direitos de placas de publicidade, aprovado em assembleia da FFU, pode ter vantagem com uma receita um pouco maior do que os rivais.
“Quando foram feitas as placas da Série A e as juntamos às da Série B para poder contemplar, alguns clubes acabaram ficando com esse colchão, no caso, se caísse para a Série B, que eram os clubes considerados os maiores da época e que estavam na Série A. Mas eu não acho injusto porque se isso fosse negociado separadamente, pelo cenário à época, certamente eles teriam valores maiores também”, disse.
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