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Opinião | Um perigo real em ano eleitoral

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18.02.2026

O final de 2025 foi marcado por intensa agitação na cidade do Rio de Janeiro. Não apenas pelo movimento típico de dezembro, mas sobretudo por um debate que se deslocou para os campos político e religioso – duas esferas que, há algum tempo, vêm se misturando de forma preocupante no cenário social brasileiro.

O imbróglio teve início quando o prefeito da cidade e pré-candidato ao governo do Estado, Eduardo Paes (PSD-RJ), respondeu em suas redes sociais a um trecho de entrevista concedida pelo professor e babalawô Ivanir dos Santos (UFRJ). O docente questionou a laicidade do Estado ao tomar conhecimento de que a prefeitura promoveria, no réveillon de 2026, um palco dedicado exclusivamente ao segmento gospel na Praia do Leme, e lamentou que tradições como saudações a Iemanjá perderiam espaço na orla.

Ao responder às críticas, o prefeito argumentou que Copacabana comporta diferentes manifestações culturais e religiosas e que a música gospel também poderia ocupar esse espaço. A controvérsia se agravou, no entanto, quando ele afirmou: “É impressionante o nível de preconceito dessa gente”. A expressão, ainda que possivelmente não intencional, mobiliza uma lógica recorrente quando o assunto é intolerância: a produção de um “outro” genérico, indistinto e potencialmente ameaçador.

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© Estadão