Notícia | De Sangosse planeja exportar bioinsumos a partir do Brasil
A multinacional francesa De Sangosse, de bioinsumos, prepara uma nova fase no Brasil, onde está há 20 anos. O plano é transformar a filial em um hub produtivo. O País já responde por 98% dos negócios do grupo na América Latina. Marco Lopes, diretor da De Sangosse Brasil, conta que a empresa está ampliando o parque fabril em Ibiporã (PR) para produzir produtos hoje importados da França. “Isso nos dará custos mais competitivos e agilidade para atender ao mercado local. Futuramente, queremos exportar para a América do Norte a partir daqui”, diz. A expectativa é alcançar neste ano faturamento de 49,5 milhões de euros (cerca de R$ 305 milhões), acima do ciclo 2024/25.
Estratégia inclui produto mais rentável
A empresa prepara investimento de 20 milhões de euros (cerca de R$ 123 milhões) para biotecnologias como microalgas e hormônios, voltadas a lavouras de soja e milho. “O mercado está desafiador e o produtor, cauteloso, por isso o foco é oferecer tecnologias com produtividade superior”, diz Lopes.
A Seleon, central de inseminação artificial com sede em Itatinga (SP), projeta crescimento de ao menos 20% na produção de sêmen neste ano, após avançar 21% em 2025, de 4 milhões para quase 5 milhões de doses. A empresa, uma das maiores da América Latina no setor, fechou o ano passado com 17% de participação de mercado no Brasil e capacidade para quase 500 touros alojados. De acordo com a empresa, a receita avançou 15% em 2025, sem citar os valores.
A raça Angus foi destaque, com crescimento de 105% no volume de sêmen produzido em 2025, de 1 milhão de doses. O salto veio dos programas Beef on Dairy, que cruza vacas leiteiras com genética de corte, e das exportações de animais vivos ao Oriente Médio. A Seleon detém 40% do mercado de sêmen de Angus no País. Já o sêmen de Holandês cresceu 87%, a 550 mil doses.
A Vida Veg, líder nacional em produtos plant-based, projeta faturamento de R$ 130 milhões em 2026, 30% mais que no ano passado. O desempenho é esperado após a aquisição da Plant Choice, foodtech fundada em 2021 especializada em presunto, pastrami, salsicha e queijos a partir de vegetais. A operação comercial conjunta começa em março, com os produtos distribuídos nos mais de 6 mil pontos de venda da Vida Veg. A companhia prevê dobrar já no primeiro ano o faturamento da empresa adquirida. O valor da transação não foi divulgado.
Mais de 300 empresários vão acompanhar a missão do governo brasileiro à Índia e à Coreia do Sul, que começa na quarta-feira, 18, estima a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). Do agronegócio, 41 empresas e entidades estarão representadas. A Apex vai inaugurar um escritório em Nova Délhi com foco na promoção comercial e atração de investimentos. “A Índia é um mercado gigante e o comércio conosco ainda é muito pequeno”, diz Jorge Viana, presidente da agência. Em 2025, o fluxo comercial entre os países foi de US$ 15,2 bilhões.
O agronegócio brasileiro quer aproveitar a missão para conquistar novos destinos a seus produtos. Para o mercado indiano, o Brasil ambiciona exportar feijão e frango. Com a Coreia do Sul, o País negocia, há mais de 20 anos, a entrada de carne bovina. “Buscamos oportunidades comerciais e parceria estratégica com estes países”, diz à Coluna Carlos Fávaro, ministro da Agricultura.
Entidades do agronegócio calculam o eventual impacto sobre o setor do projeto de redução da jornada de trabalho, conhecido como fim da escala 6x1. Uma análise preliminar apresentada à Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) aponta que, se a escala for adotada, há potencial aumento de custo de mão de obra no setor de 20% a 25%. Uma reação conjunta está sendo estudada com a indústria, comércio, serviços e transportes. “O objetivo é evitar que a agropecuária seja onerada”, diz uma liderança./Por Julia Maciel, Leandro Silveira, Gabriel Azevedo e Isadora Duarte
