O valor do trabalho na época da abundância cognitiva
Durante praticamente toda a história económica, o valor de um trabalhador esteve ligado à escassez daquilo que sabia fazer. Um escriba valia porque poucos sabiam escrever. Um advogado vale porque poucos dominam a lei o suficiente para a aplicar a um caso concreto. Um médico, porque poucos sabem interpretar um corpo doente. Esta equação de ‘conhecimento raro, valor elevado’ organizou milénios de divisão do trabalho. Mas começa a vacilar, não porque o conhecimento deixe de importar, mas porque se torna acessível a qualquer pessoa com acesso a um sistema.
Não é claro que isto elimine profissões. Houve exceções – telefonistas, datilógrafos, operadores de elevador – mas, historicamente, a maioria das tecnologias não eliminou profissões inteiras: redistribuiu o que dentro delas era valioso.
Uma tecnologia pode ser usada de duas formas fundamentalmente diferentes: para substituir tarefas que os humanos faziam (o que os economistas chamam efeito de deslocação) ou para........
