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Crónicas de Lisboa: Era um Setembro da minha infância

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13.05.2026

Crónicas de Lisboa: Era um Setembro da minha infância

Tinha acabado chegar à UCI (Unidade de Cuidados Intensivos) de cardiologia daquele hospital, vindo da sala de cirurgia de Hemodinâmica (local onde se fazem os conhecidos “cateterismos”) e ali me tinham efetuado uma Angioplastia cardíaca, após uma recidiva ao meu primeiro EAM (Enfarte Agudo do Miocárdio – vulgo: ataque do coração).

Ali, na UCI, os cuidados e a vigilância médica são rigorosos, porque só ali está aquele que (ainda) corre perigo de vida, por causa da patologia que o tenha levado para aquela unidade de medicina tão especial e tão apetrechada em recursos, incluindo os humanos (médicos, enfermeiros, etc).Lá, aquele ambiente de antecâmara entre a vida e a morte, só é quebrado quando algum paciente carece de reação imediata às alterações clínicas bruscas – por vezes, o final da vida-, com vista à sua estabilização e recuperação.

Apesar da minha fatalidade, pois ter um enfarte aos 46 anos de idade, como algo que nos “violenta” a vida, ali, na UCI e depois da angioplastia, parecia haver paz dentro de mim, porque a dor era suportável e porque soube agir aos sintomas de enfarte   -agir mais rápido do que um enfarte é vital. Afinal, tinha sido feito um furo na virilha, da perna direita, e, por aquela artéria, introduzido um cateter até ao local da coronária lesionada na qual foi efetuada uma desobstrução e colocado um “stent” para reparação do “estrago” que causou o enfarte.

O ambiente, quase silencioso, era propício à meditação acerca da minha vida e nos “porquês” que me levaram àquela situação clínica e, dissera-me o médico, que passaria a ser um paciente assíduo em Cardiologia, bem como diferente passaria a ser a minha vida futura. Naquela data, há trinta anos, passava-se e assumia-se a ideia de que ter um “ataque do coração” e sobreviver era como que acabar para uma vida normal. Muita evolução ocorreu, neste........

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