O Algarve não é terreno para aventuras extremistas
O Algarve não é terreno para aventuras extremistas
“Casa mal alicerçada não aguenta vendaval.” O Algarve merece alicerces sólidos, morais, institucionais e económicos.A hora é de lucidez. E de coragem cívica.Não se trata, sequer, de um debate ideológico superficial. Trata-se de carácter, de ética pública e de futuro regional.
O Algarve sempre foi terra de encontros. Entre o mar e a serra, entre o cristão, o mouro e o judeu, entre o pescador de Olhão e o agricultor de Alte, construiu-se uma identidade feita de hospitalidade, trabalho e honra. Como diz o povo, “terra que acolhe é terra que prospera”. É por isso que os factos recentemente noticiados sobre práticas internas do CHEGA e as suas estratégias de radicalização digital devem preocupar profundamente todos os algarvios de boa-fé.
Os relatos sobre recrutamento de jovens através de redes sociais, com linguagem simplificada, estética apelativa e mensagens polarizadoras, encontram eco na investigação publicada pelo Público em pré-publicação de Por Dentro do Chega, onde se descreve a forma sistemática como o partido se implantou entre adolescentes, explorando fragilidades educativas e promovendo discursos de desconfiança institucional. Mais grave ainda, o Observador noticiou acusações relativas a alegadas manipulações de eleições internas e pagamentos para angariação de votos ligados a meios neonazis. Mesmo que os factos estejam ainda sob escrutínio judicial, o simples contexto revela um padrão inquietante.
O Algarve, que sofreu na pele as crises económicas, a dependência excessiva do turismo sazonal e a desertificação do interior, não pode permitir que o seu nome seja associado a........
