S. José
1. A Igreja celebra hoje a solenidade de S. José, Esposo da Virgem Santa Maria.
Foi pai legal e não natural (biológico) de Jesus. Pertencia à tribo de Judá e à Casa de David. Era um modesto carpinteiro.
Tinha provavelmente um irmão e alguma irmã, que foram pai ou mãe daqueles a quem o Evangelho chama irmãos de Jesus.
Os evangelhos da infância (Mateus 1-2 e Lucas 1-2) falam pouco de José e não apresentam nenhuma palavra sua. Foi um homem que se manteve em silêncio, em segundo plano, atento para intervir quando fosse necessário. Qualificam-no de «homem justo».
Foi fiel à vontade de Deus: por isso recebeu Maria grávida, fez a viagem de Nazaré a Belém, apresentou Jesus no templo, levou Maria e Jesus para o Egito e com eles regressou a Nazaré. Respeitou o bom nome de Maria.
2. Reveladores destas facetas da sua personalidade são dois textos de S. Mateus, que transcrevo:
Primeiro: «O nascimento de Jesus deu-se do seguinte modo: Maria, sua Mãe, noiva de José, antes de terem vivido em comum, encontrara-se grávida por virtude do Espírito Santo. Mas José, seu esposo, que era justo e não queria difamá-la, resolveu repudiá-la em segredo.
Tinha ele assim pensado, quando lhe apareceu num sonho o Anjo do Senhor, que lhe disse: «José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou é fruto do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, e tu pôr-Lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados».
Tudo isto aconteceu para se cumprir o que o Senhor anunciara por meio do Profeta, que diz: «A Virgem conceberá e dará à luz um Filho, que será chamado ‘Emanuel’, que quer dizer ‘Deus connosco’».
Quando despertou do sono, José fez como o Anjo do Senhor lhe ordenara e recebeu sua esposa» (1, 18-21).
Segundo: «Depois de os Magos partirem, o anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e disse-lhe: «Levanta-te, toma contigo o Menino e sua Mãe e foge para o Egito; fica lá até que eu te diga, pois Herodes vai procurar o Menino para O matar».
José levantou-se de noite, tomou consigo o Menino e sua Mãe e partiu para o Egito e ficou lá até à morte de Herodes, para se cumprir o que o Senhor anunciara pelo profeta: «Do Egito chamei o meu filho» (2, 13-15).
3. Seguir S. José é evitar a preocupação de, com promessas, querer levar Deus a fazer a nossa vontade.
É respeitar o bom nome das pessoas, fugindo da murmuração, da difamação, da calúnia. Nada de julgamentos e condenações na praça pública.
É saber caminhar na sombra e fazer bem trabalhos que se não vêem. Isso de esconder o lixo debaixo do tapete… pretender ser cúpula e não alicerce… anunciar projetos em vez de apresentar obras… trazer atrás de si uma equipa de jornalistas… dar conferências de imprensa a anunciar sonhos….
4. Têm particular devoção a S. José as religiosas de vida consagrada. Santa Teresa de Ávila escolheu-o como patrono. Dedicou-lhe o primeiro dos dezassete conventos que fundou. Em 1689 foi-lhe permitido celebrar a sua festa no III Domingo da Páscoa.
Disse, a propósito: «Tomei como advogado e senhor o glorioso S. José».
«Não me lembro de lhe ter pedido alguma coisa que não me fizesse. Espantam-me as grandes graças que Deus me concedeu por meio deste bem-aventurado santo… Não conheci pessoa que lhe seja realmente devota e que não seja mais virtuosa… Só peço, por amor de Deus, que o experimente quem não acredita e verá por experiência própria o enorme bem que é encomendar-se a este glorioso patriarca e ter-lhe grande devoção…»
Isabel da Cruz, monja carmelita, diz de Santa Teresa: «era particularmente devota de S. José, constando que lhe apareceu muitas vezes e caminhava a seu lado».
Santo Henrique de Ossó, que em 1876 fundou a Companhia de Santa Teresa, recomendava às suas filhas espirituais que recorressem sempre a S. José e considerassem como vindas das suas mãos as ofertas que lhes fizessem. «Quando vos oferecerem alguma coisa, não digais: deram-nos ou ofereceram-nos tal coisa, mas que São José nos trouxe isto ou aquilo». Chamava-lhe «o Avozinho da casa».
