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Putin, um dirigente que não admite contraditores

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25.02.2026

Já não é a primeira vez que se aborda o tema da Guerra na Ucrânia, essa “operação militar especial” que o actual dirigente russo anunciou a todo o mundo ao enviar o exército do seu país invadir a Ucrânia.

O nome que atribuiu à sua acção bélica, que teve início há quatro anos, certamente que era referida como uma invasão mais ou menos fácil de realizar. No fundo, bastaria apresentar o seu poderio militar e determinar, depois, aos ucranianos subjugados, o que pretendia com essa operação.

Com toda a certeza que o líder do Kremlin não imaginava que, ao fim de quatro anos, a “operação especial” continuasse sem solução e que as tropas russas já contassem com um número de baixas astronómico – algumas fontes falam da morte ou incapacidade de luta de mais de um milhão e duzentos mil militares invasores.

Também é conhecido que, numa ocasião em que Putin fez uma chamada de imensos jovens para o seu exército, a resposta de muitos foi fugir da Rússia.

Ou seja, Putin conseguiu que muita gente do seu país discordasse do seu intuito bélico e que, por todo o todo mundo, se levantasse uma onda de simpatia e de apoio aos resistentes ucranianos.

Vivem-se de momento, com ajuda norte americana, conversações no sentido de chegar a um acordo de paz. Mas, de parte a parte, não se vê que seja fácil alguma concretização, porque as exigências de Putin e a atitude ucraniana parecem incompatíveis

Seja como for, sempre é de apoiar que o diálogo entre os contentores se realize, porque, pelo menos, enquanto há aproximação entre os beligerantes, sempre se podem abrir caminhos de melhor entendimento. 

De notar, porém, que a guerra se iniciou com a imaginação do ditador de Moscovo de impor a sua força sem imaginar a qualidade da resposta do país invadido. As perdas tão volumosas de militares russos e também de combatentes ucranianos são próprias de uma guerra e não de uma “operação militar especial”, conforme a suposição totalmente imaginativa do dirigente russo.

Certamente que no país invasor, onde a censura preside aos meios de comunicação social e a prisão é o lugar próprio para quem manifeste publicamente a sua oposição às orientações de Putin, não deve transparecer uma ideia clara e objectiva sobre o luto entre bastantes famílias da sociedade russa, que a “operação militar especial” tem tocasionado.

Para o antigo membro da KGB, Vladimir Putin, que agora dirige a sociedade russa, tudo deve passar-se sem problemas de repulsa que contrariem a sua vontade. O facto de ter assumido o poder, dá-lhe uma liberdade de acção vastíssima e ninguém o deve contrariar. Ao fim e ao cabo, não era deste modo que a existência da KGB a polícia política da ditadura comunista, ensinava?


© Diário do Minho