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O drama do Pretório

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16.03.2026

As Procissões de Passos começam habitualmente com o Sermão do Pretório1, onde se recorda a presença de Jesus diante de Pilatos, narrada em todos os Evangelhos (Mt 27, 1-2.11-26; Mc 15, 1-5; Lc 23, 1-7.13-25; Jo 18, 28-40). E é bom que seja assim: não apenas para recordar o que se passou no Pretório de Pilatos, mas também para ajudar a refletir sobre o drama dos Pretórios de hoje, visto que, apesar de mudarem as personagens, os problemas são os mesmos. 

Ao contrário dos judeus, que “não entraram no edifício para não se contaminarem e poderem celebrar a Páscoa” (Jo 18, 28), nós só a podemos celebrar se antes entrarmos no Pretório, meditarmos no que aí acontece e procurarmos mudar o curso dos acontecimentos. Somos, por isso, convidados a presenciar o drama e até a fazer parte dele: de um lado, está Pilatos, sentado na cadeira do poder; do outro, está Jesus, o acusado, de pé, sem defesa, sem exército. À volta, uma multidão em tumulto que não quer justiça, mas decisões a contento, exigindo que Barrabás seja solto e Jesus crucificado (cfr. Mt 27, 15-26; Mc 15, 6-15; Lc 23, 17-23; Jo 18, 39-40).

Pilatos pergunta, escuta, hesita. Vê a inocência (Lc 23, 4: “Nada encontro de culpável neste homem”), mas teme as autoridades judaicas e a multidão por elas instigada. Sabe o que é justo, mas calcula o........

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