A Devoção das 40 horas
Não são muitas, mas há ainda algumas paróquias da nossa diocese em que se mantém, por estes dias, a Devoção das 40 Horas1: o Santíssimo Sacramento, exposto num ostensório ou custódia2, é adorado por fiéis que se revezam em oração. O nome desta devoção deriva da referência simbólica ao tempo em que o corpo de Jesus permaneceu no sepulcro, entre a morte e a ressurreição3. A proximidade do Tempo Quaresmal faz-nos pensar também nos 40 dias do dilúvio (cfr. Gn 8, 17), nos 40 anos de duração do êxodo do Povo de Deus (cfr. Ex 16, 35; Nm 14, 33-34; Dt 8, 2-4) e nos 40 dias de Jesus no deserto, como preparação para a missão de anúncio do Reino (cfr. Mt 4, 2; Mc 1, 13; Lc 4, 2).
A Devoção das 40 Horas surgiu em Milão, na primeira metade do século XVI4. Criada pelos Padres Capuchinhos, tinha como objetivo promover a reparação eucarística contra os ataques protestantes, num contexto difícil de guerras, crises morais e religiosas. Foi promovida por diversos nomes sonantes da Igreja de então, tais como Inácio de Loyola e Filipe de Néri, que a introduziu em Roma, e incentivada pelos Papas Clemente VII, em 1532; Paulo V, em 1539; e Pio IV, em 1560, que a enriqueceram com numerosas indulgências. Por fim, em 1705, o Papa Clemente XI5 ordenou definitivamente o seu rito, mediante a famosa Instrução Clementina6.
A ideia central e o sentido espiritual desta devoção é vigiar com Cristo para reparar as ofensas ao Santíssimo Sacramento, interceder pela Igreja e pelo mundo, aprofundar a intimidade com Jesus........
