“E vós, quem dizeis que Eu sou?”
No próximo Domingo, o XXI do Tempo Comum, escutaremos a confissão messiânica de Pedro (Mt 16,13-20), um texto que, no Evangelho de Mateus, assume uma evidente centralidade. O acontecimento decorre na região de Cesareia de Filipe, cidade dedicada a César, o imperador, e a Pã1, o deus da vegetação, das energias cósmicas e do fluxo vivo das águas. No espaço onde se disputa a identidade do divino, Jesus coloca à prova os discípulos e, por isso, a localização geográfica não é um detalhe narrativo, mas um elemento teológico a sugerir que não raro a profissão de fé acontece no meio de uma certa ambiguidade religiosa.
A pergunta de Jesus desenvolve-se em dois momentos. Primeiro, interessa-lhe a opinião pública: “Quem dizem os homens que eu sou?” Elogiosas, mas insuficientes, as respostas revelam que Jesus é visto como um dos grandes profetas e sugerem que a fé cristã é muito mais do que o consenso das multidões ou uma mera repetição de interpretações correntes.
Segue-se, então, a pergunta dirigida aos discípulos: “E vós, quem dizeis que Eu sou?” Com posição enfática no texto grego, o pronome “vós” sublinha que é chegado o momento da decisão pessoal, podendo dizer-se que a fé não é apenas herdada, mas deve tornar-se resposta própria. É Simão quem toma a palavra, para dizer: “Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo”, uma afirmação central na cristologia de Mateus. Jesus não é apenas o Messias esperado,........
