Já não vivemos no mesmo País
Vivemos no mesmo território, obedecemos às mesmas leis, elegemos os mesmos representantes e, no entanto, começa a ser legítimo perguntar se continuamos a viver no mesmo país. Não porque Portugal se tenha dividido geograficamente, mas porque se multiplicam as distâncias entre as experiências de vida, as perceções da realidade e até os significados que atribuímos às mesmas palavras. O que para uns é uma dificuldade passageira, para outros é uma impossibilidade permanente. O que uns consideram uma exigência razoável, outros classificam como privilégio. E aquilo que deveria suscitar uma preocupação comum transforma-se, demasiadas vezes, num problema que pertence apenas a quem o sofre. A diversidade não é o problema. Uma democracia vive da diferença, do confronto de ideias e da possibilidade de discordar. O problema começa quando deixamos de procurar compreender as razões da discordância. Quando ouvimos para responder, não para perceber. Quando substituímos a experiência do outro por uma caricatura conveniente. Nesse momento, a discussão........
