O nosso dia a dia na comunicação social
O nosso mundo vive, em boa parte, o seu dia a dia, determinado ou inquietado pelas notícias que os “media” nos dão. Certamente que não é possível proceder de outro modo, porque o homem é um ser social, e esta sua faceta como que o obriga, de modo natural, a ter em conta o que as notícias motivam e reflectem.
Contudo, é necessário considerar sempre que, como diz o velho ditado jornalístico, “não é notícia que um cão morda um homem, mas que um homem morda um cão”. Isto significa, por um lado, que aquilo que a comunicação social nos revela é capaz de ter pouca relação com a normalidade da vida. Efectivamente, parece que só dá relevo às situações mais atractivas que chamam a atenção dos seus leitores ou espectadores. Felizmente que aquilo que nos é fornecido, pelos “media” não é necessariamente algo de extravagante ou que chame a atenção das pessoas duma maneira mais chocante. Ao abrirmos um jornal diário ou prestando atenção a um noticiário na rádio ou na televisão, o que nos é fornecido não nos deixa necessariamente nervosos ou escandalizados.
Há alguns meios de informação que se dedicam a apresentar sempre o que é escandaloso ou chamativo. Quem os frequenta, talvez com um gosto pelo estranho ou pelo sensacional extremado, recebe aí a satisfação da sua curiosidade. Outros, mais pacatos, aborrecem-se com esse tipo de informação. Enfim, o ser humano é diversificado, ou seja, não há uma maneira de ser comum a todos os membros da nossa sociedade. As diversidades são muito fortes e também é necessário ter em conta a formação e educação que se recebe.
Por isso, não nos podemos estranhar o facto de uma notícia ser encarada de uma maneira muito diversa por quem as possui. Ser “noticia” causa diversíssimas reacções por parte dos seus receptores. Há quem deseje aparecer nos “media”, procurando chamar a atenção, por vezes de um modo descarado, sujeitando-se a que a sua vida privada desapareça como tal, há quem sofra ao ser procurado pelos “media”, e há também quem, sem voluntariedade apareça nas noticias, ao, por exemplo, sofrer um acidente de carro violento, que desperta os jornalistas. Estes publicam com fotos e descrições pormenorizadas tudo o que sucedeu, por vezes de um modo excessivamente aparatoso.
O importante, por parte da comunicação social, é que nos forneça uma ideia objectiva da sociedade em que vivemos. Não é justo tratar o nosso dia a dia, que decorre, habitualmente, com calma e serenidade, como uma espécie de vulcão, onde só ocorrem desgraças, acções “sui generis” ou despropositadas e situações anómalas que, felizmente, não são o retrato objectivo do mundo em que estamos.
Com isto, não queremos dizer que os “media” não nos informem, com objectividade, sobre acontecimentos complexos e dolorosos, onde há dor, injustiça e desencanto. A normalidade da vida humana não é essa. Uma cena complicada e desagradável, que surge nas primeiras páginas com todo o vigor, é uma realidade que, infelizmente, aparece na sociedade em que vivemos. Noticiá-la é um benefício, que nos pode chamar a atenção para alguma realidade que devemos combater. Mas ao publicá-la, os “media” não devem apresentá-la como algo de normal ou de inevitável. São, felizmente, excepções que é preciso combater, mas jamais o que caracteriza a existência normal do cidadão no seu dia a dia.
