Guardiões do tempo
Na próxima sexta-feira, dia 24 de julho, assinala-se o Dia dos Primos, esses amigos que a vida escolheu por nós, mistura perfeita entre a família e a amizade. Se há pessoas que entram na nossa vida por escolha e outras por acaso, há também os primos, que chegam antes de qualquer memória, como ramos da árvore da família, às vezes próximos, outras vezes distantes, mas ligados pela mesma seiva. São uma espécie de amizade que nasce sem convite, um parentesco que transforma o sangue em cumplicidade e a infância em eternidade.
Os primos conheceram-nos numa idade em que ainda não tínhamos consciência de nós. Encontraram-nos antes das profissões, das responsabilidades que a vida nos foi colocando aos ombros e das máscaras que a sociedade nos impôs. Conheceram o nosso riso sem reservas, as quedas sem vergonha, os joelhos esfolados, os segredos sussurrados. E até guardam versões de nós que o tempo já apagou da nossa memória.
Há uma espécie de geografia secreta dos primos: a casa dos avós, as mesas compridas onde se sentavam adultos, os verões que pareciam não ter fim, os natais onde o cheiro da comida se misturava com o entusiasmo das brincadeiras. Nesses lugares, os primos, mais do que familiares, eram companheiros de expedições imaginárias, cúmplices de travessuras bem planeadas e defensores........
