Políticos novos
Estamos a precisar deles para continuar a participar. Não tem a ver com a idade, mas com comportamento e atitude. Nos que temos, uma parte de nós já não acredita ou acredita pouco.
Cansados, muitos optam pela abstenção, outros exigem mudanças, mas não são escutados.Talvez os cidadãos se tornassem mais assíduos se a situação fosse mais convidativa. E fossem mais solidários entre gerações. Os políticos fazem os fiéis e estes os políticos. Talvez os seguidores fossem com mais frequência aos "templos" da democracia, escolhendo os líderes da sua organização ou do país.
Precisamos de uma pequena revolução, que não extinga as diferenças e as divergências, mas que inaugure uma nova democracia, que a que existe tem estado a afastar-se dos fundadores. Pense-se na diferença de comportamento entre esses e os actuais nos chamados partidos tradicionais... Antes, havia debate de ideias, hoje, há partidarite. É-se contra porque sim, não por uma ideia diferente sobre determinado aspecto. As redes sociais estão cheias de exemplos deprimentes. Acredito que os nossos representantes viessem a gozar, de novo, da simpatia do povo, se as coisas levassem uma volta.
É a falta de equilíbrio que faz surgir novas organizações, umas que chegam por bem, outras que vêm apenas para perturbar, facções que se querem afirmar ou independizar-se da organização inicial.
Todos os dias podem aumentar os seguidores de umas e de outras.
O entusiasmo tem vindo a arrefecer: os governantes já não cumprem com o que se propuseram, não explicam nem pedem desculpa. Preferem disfarçar e fazer do que foi incumprido uma nova proposta.
São os fogos e as cheias que não se previnem, é o Serviço Nacional de Saúde que tende a piorar, a Educação que não atrai professores… um grande desleixo, na verdade.
Para termos uma comunidade assídua e empenhada em conhecer e discutir as propostas que lhe são apresentadas, precisamos de um comportamento dos nossos representantes, eleitos e nomeados, que demonstre que o que "pregam" não é "conversa fiada", mas um compromisso sério e verdadeiro. Esse jeito de fazer política interligaria os cidadãos a uma maior participação e faria recuar a recusa em participar (abstencionismo). É preciso que se diga "são todos iguais", mas "pela positiva" e não como hoje comummente se tendem a caracterizar os partidos e os políticos.
Os políticos precisam de apresentar a realidade e as soluções de um modo diferente, ainda que possam correr o risco de começarem por perder eleitorado. À frente, quando os eleitores perceberem que foram enganados acabarão por dar razão a quem foi sincero e verdadeiro na apreciação da realidade e das possibilidades do país para atingir, sem traumas nem riscos, um novo patamar de bem-estar. O marketing só colhe enquanto se não experimenta o objecto publicitário. Depois disso, ou se usa ou não mais se quer ouvir falar da coisa ainda que, entretanto, tenha melhorado.
Os partidos procuram olhar para o seu próprio umbigo, para os seus interesses – quantas vezes mesquinhos! -– magoando e mentindo sobre os adversários, ou lutam verdadeiramente para aquilo que é comum?
Serão capazes de potenciar as capacidades e contributos dos adversários? As convicções particulares não estarão a impedir uma prática política construtiva?
O que se nota com demasiada frequência é que o partido vencedor, ainda que não maioritário, vive fechado no seu egoísmo não dando ouvidos a propostas alheias que são positivas por simples táctica politica.
Na política também se pode ser sensível à "comunhão fraterna" de ideias, posições e actos relevantes para o bem da "comunidade".
Os governos existem, desde logo, para ajudar os cidadãos a enfrentar as contrariedades e os dramas de cada dia.
Nas coisas da política somos todos um pouco como Tomé: precisamos de ver para acreditar.
