E se a gratidão fosse o centro? O que a Eucaristia faz à vida
Vivemos muitas vezes como quem corre para não cair: agendas cheias, atenção fragmentada, urgências que se sucedem e a sensação persistente de que a vida acontece sempre “depois”, quando houver tempo. Nesse regime, a existência vai perdendo forma e respiração, porque lhe falta um centro que não dependa do nosso controlo nem da nossa performance. Precisamos de um lugar interior e comunitário onde o disperso se recolha, onde o monólogo do eu se interrompa e onde reaprendamos a lógica do dom. Não a gratidão como emoção breve, mas como arte de habitar o mundo: receber antes de exigir, agradecer antes de reclamar, reconhecer que a vida é maior do que aquilo que conseguimos medir, gerir ou justificar.
Muitas vidas trazem uma fome de sentido: não de explicações rápidas, mas de uma narrativa capaz de integrar perdas, desejos e recomeços. Na Eucaristia, a Palavra escutada e a mesa partilhada abrem um horizonte maior do que a improvisação biográfica. O presente deixa de ser um instante fechado e torna-se um “hoje”........
