A inteligência artificial também precisa de mosteiros
A novidade mais provocatória da Encíclica Magnifica Humanitas talvez não esteja onde a procuraríamos. Não está apenas na denúncia do poder tecnológico, na crítica da automatização, na defesa do trabalho ou na exigência de uma regulação ética da inteligência artificial. Tudo isso é importante, mas ainda pertence ao vocabulário habitual da discussão pública. O que a encíclica propõe de verdadeiramente disruptivo é outra coisa: a ideia de que o problema da IA não é, antes de mais, técnico, jurídico ou económico. É espiritual. A questão decisiva não é apenas saber que máquinas queremos construir, mas que tipo de humanidade estamos a permitir que essas máquinas fabriquem em nós.
Por isso, talvez precisemos de uma imagem inesperada: a inteligência artificial precisa de mosteiros. Não mosteiros como fuga ao mundo, nostalgia medieval ou reserva piedosa para almas assustadas com o futuro. Precisa de mosteiros no sentido mais exigente do termo: lugares de disciplina interior, de desaceleração, de escuta,........
