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Silêncio ativo – João Rodrigues

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05.02.2026

A política sempre foi uma arte com uma vertente intrinsecamente performativa. Tal como noutras atividades com impacto na vida coletiva, forma e substância caminham lado a lado. A substância está sujeita ao juízo do tempo; a forma, essa, só subsiste quando assenta na justiça e na elegância. Quando este equilíbrio se rompe, a política transforma-se em espetáculo. Na última década, a forma passou a sobrepor-se claramente à substância. Vivemos hoje numa civilização do espetáculo, onde a política do ruído, do vídeo curto e da partilha incessante nas redes sociais: TikTok, Instagram e afins, raramente se traduz em efeitos concretos na vida das pessoas. O político bem-sucedido tornou-se aquele que melhor alimenta o algoritmo e dele se alimenta, esquecendo que os tentáculos do polvo são sempre demasiados numerosos para uma só pessoa controlar. A política passou a ser moda e a moda, por definição, é passageira e pouco dada a produzir transformações duradouras. Ainda assim, subsistem resistências e vários quadrantes e espaços políticos. Há quem, no meio do ruído visual e........

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