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Ser ou não ser: Pode-se ser meio democrata?

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22.01.2026

Os regimes políticos constroem-se a partir das particularidades que existem em cada nação, mas também pela oposição face àqueles que se propõem substituir e pela influência que as nações dominantes exercem no ideário político e coletivo de um país. Nesse pressuposto, a Democracia resultante do 25 de Abril é, para todos os efeitos, em primeira medida, uma afirmação da liberdade plena e de todas as consequências que isso acarreta, mas também uma negação da forma de ser e de fazer do Estado Novo.

Ou seja, numa dimensão positiva, a nossa democracia assenta num princípio de liberdade e de respeito pela dignidade humana. Na sua dimensão negativa, afirma-se como o oposto de tudo aquilo que o Estado Novo representou durante a sua vigência: repressão, autoritarismo, violência e principalmente ideias absolutas, sem possibilidade de contraditório.

Neste sentido, há apenas dois caminhos que cada um de nós, na sua subjetividade e intimidade política, pode perspetivar na sua consciência face ao que acontecerá no dia 8 de fevereiro de 2026. Ou somos seres democráticos por inteiro, ou então abrimos a porta àqueles que afirmam que quem faz falta é Salazar, a Ordem, a Pátria e a Família. Não há outra forma de o dizer: esta não é uma luta política face a posicionamentos........

© Diário do Minho