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«Primeiro o amor, depois a técnica»

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Espero não abusar da paciência dos meus leitores ao voltar ao tema da Magnífica Humanidade. É redundante afirmar que ela não coloca a sua prioridade na Inteligência Artificial, mas na pessoa humana e na salvaguarda da sua dignidade. Vivemos num contexto social e político absolutamente novo, que se torna ameaçador. Daí que a linguagem do Papa Leão deva ser sempre interpretada como profética. O progresso e a técnica avançaram e abriram caminhos verdadeiramente impensáveis.

Progressivamente, foi-se criando a sensação de que a técnica e o progresso oferecem resposta para tudo. Porém, a realidade concreta da vida desmente, em absoluto, essa afirmação. A vida humana, nas suas mais variadas dimensões, está marcada por inúmeras limitações. Por isso, o Papa, ao falar da Magnífica Humanidade, não deixa de abordar, com clareza inequívoca, a questão dos limites. «A nossa relação com a vida parece estar hoje em crise.» Existem muitos «limites» («incapacidade, doença, velhice, sofrimento, vulnerabilidade»), realidades que, sem receio, não devem ser entendidas como um «defeito a corrigir»; somos antes chamados a «reconhecer a contingência das coisas deste........

© Diário do Minho