menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Uma tarja perigosa - tinha História

19 0
27.02.2026

Há jogos que o país prefere ignorar, mas que a história e adeptos das instituições, não permitem. Refiro-me aos encontros entre Gverreiros e Conquistadores. Também por isso, ao longo das últimas semanas, nas catacumbas da Pedreira, um grupo de voluntários trabalhou arduamente na preparação de uma aula (de história e) histórica, tentando educar através do desporto. O objetivo passava por mostrar que antes de existir Portugal já havia Bracara Augusta - capital da província romana da Galécia e do Reino Suevo. Ou seja, “Antes de nascer Portugal, já Braga era capital” 

O trabalho artesanal de elevada qualidade artística materializado numa enorme tarja, recordava aqueles que contribuíram para fundar os alicerces da nossa cidade. Ali surgiam: um brácaro (296 a.C.) - primeiro povo conhecido a habitar a região; um romano (16 a.C.) - fundadores da cidade; o rei Hermérico (360 - 461) - primeiro rei e fundador do reino Suevo na Galécia (capital, Bracara Augusta); Paulo Orósio (383 - 420) - historiador, teólogo e sacerdote; São Martinho de Dume (518 - 579) - bispo de Dume e de Braga, influente na organização da Igreja na Península Ibérica; um visigodo (585 - 711) - símbolo do domínio visigótico após a conquista de Braga; D. Paio Mendes - arcebispo de Braga entre 1118 e 1137, figura central no processo de independência de Portugal, mentor e aliado de D. Afonso Henriques, tendo ainda assinado, pouco antes da Batalha de São Mamede, um documento considerado a “certidão de nascimento de Portugal”; D. Gualdim Pais (1118 - 1195) - natural de Amares, organizador e líder dos Templários em Portugal que combateu ao lado de Afonso Henriques.

A tarja não foi exibida porque as chefias da PSP subentenderam que “as mensagens nela apostas não evidenciavam qualquer manifestação clara e inequívoca de apoio à equipa”. A isto, o clube respondeu: “A prepotência da decisão só tem paralelo com a ignorância que a suporta”. Não querendo ser tão sarcástico, eu diria que quem assim decidiu não estudou a história da região onde exerce funções, falha imperdoável para detentores de cargos de tal relevância. Perdoem-me a ousadia, mas se deixassem a tarja cumprir a sua função educativa, 20 mil adeptos e dezenas de elementos das forças de segurança, compreendiam melhor os fundamentos históricos e simbólicos da rivalidade entre estas duas instituições do desporto minhoto.

A tradução do que constava na tarja, em latim:

“Antes de lhe ser dado um nome, já havia terra.Antes de ser cidade, já havia povo.Das gentes antigas nasceu Bracara Augusta,onde as armas, a lealdade e a terra se tornaram uma só.”

Subentenderam algo nefasto nas personagens e/ou texto? Eu vi/li, apenas, uma bonita aula de história. 

Teria sido mais adequado as forças de segurança preocuparem-se com as tochas que adeptos (de ambos os clubes) levaram para o interior do estádio e com a vergonha que ia acontecendo na caixa de segurança da bancada poente, onde os visitantes exibiam tarjas - essas sim - potenciadoras de tumultos, caso tivesse havido resposta às provocações. 

Entenderam agora onde deveriam ter concentrado (a atenção de) muitos dos efetivos? Ou, pelo menos, subentenderam?


© Diário do Minho