O Faustino, meu condiscípulo
Na minha adolescência, tive um companheiro que sempre revelou falta de interesse pela escola. Quando jovem maduro, deixei de o ver. Ele era magro, alto, olhar de lince e sisudo.
Normalmente, fazia-se acompanhar dum canito de cor branco-sujo, de pêlos eriçados, focinho alongado e rosnava facilmente. O Faustino, de gorra gasta na cabeça, circulava pelos caminhos - ao lado do canídeo - confiadamente. Um dia este meu ex-condiscípulo desapareceu e soube que tinha emigrado para o Brasil.
Passaram-se já cerca de seis décadas e, Manaus, pelos vistos, não mudou de nome, porque no restaurante onde me banqueteava com um naco de javali à lá rose, dois cavalheiros, saudosamente falavam de Manaus, "choravam" por Manaus!
A carne de javali estava divinal e, o tinto alentejano que o regava estava à altura desse feio, mas saboroso bicho do monte!
Eu ouvia os meus "vizinhos de restaurante" e deixava-me lambuzar pelo repasto. Escutava sorridente os dois cavalheiros e várias vezes lhes dei a entender que gostava de “entrar em Manaus”, felicidade e saudade de ambos, testemunhada à mesa num restaurante luxuoso, mas pouco frequentado.
Finalmente entrei na conversa e, com certa oportunidade, testemunhei-lhes que conheci um rapaz meu colega........
