Minha Estrada, Minha Rua
O Tâmega e Sousa (TeS) desafia as categorias convencionais de ordenamento territorial. A formulação "Minha Estrada, Minha Rua", inspirada em A Rua da Estrada, de Álvaro Domingues, ajuda a compreender a singularidade deste pedaço do Noroeste português.
É uma Comunidade Intermunicipal (CIM) de charneira entre a Área Metropolitana do Porto (AMP), o Minho e o interior duriense, transmontano e barrosão. De matriz urbano-rural e industrial, é densamente povoada e fortemente enraizada na família, no trabalho, no património e na paisagem verde desenhada pelos rios Tâmega, Sousa e Douro.
Aqui, a urbanização não se organiza em torno de centros claramente delimitados. Desenvolve-se ao longo das estradas, numa sucessão de casas, oficinas, fábricas, cafés, serviços e pequenas explorações agrícolas que se entrelaçam quase sem interrupção. O tecido social assenta também numa tradição de indústria transformadora de base familiar: o mobiliário, a madeira e os seus derivados, em Paços de Ferreira; o vestuário e o calçado, em Felgueiras; a indústria da pedra, em Marco de Canaveses; e a metalomecânica e a construção civil, disseminadas por todos os concelhos. São milhares de pequenas e médias empresas que marcam um certo pulsar económico e social. O turismo emerge igualmente como setor em expansão, vertebrado pelo rio Douro, com as colinas outrora mineiras de Castelo de Paiva a funcionarem como uma das portas deste território.
Durante gerações, esta dinâmica coexistiu com a pequena propriedade agrícola. A agricultura complementava o rendimento proveniente da fábrica, da oficina ou........
