O Desregrado
Pessoas há que convivem mal com as regras. As que protegem a fluidez da vida em sociedade, do bem comum, do espaço público, da relação com o outro; é toda uma espécie a proliferar: o desregrado. Não é terrorista, nem criminoso das notícias, apenas o que transforma o quotidiano num inferno de incivilidades normalizadas. Começa no momento em que o pé atravessa o tapete da porta. Há quem faça profissão em violar as regras e acredita que o espaço público é uma continuação do sofá. O respeito que não se tem pelo outro começa, afinal, na falta de respeito por si mesmo. É o especialista do jardim que decide cortar a relva ao domingo às sete da manhã. Ou no elevador, ataca botões, despeja a beata no chão, marca território como cão distraído: o prédio é de todos, logo não é de ninguém. Chegado ao contentor do lixo, encontra-o cheio ou acha que sim, porque nem se digna a abrir a tampa. Vê um saco pousado fora, despeja o seu ao lado, em solidário ajuntamento de porcaria: “o chão é........
