A Constituição, a guerra e o Papa Leão XIV
Coube-me publicar este texto quinzenal no dia 2 de Abril de 2026 , dia em que, há 50 anos, foi aprovada na Assembleia Constituinte a Lei Fundamental que ainda hoje vigora em Portugal, já com as importantes modificações que lhe foram introduzidas, nomeadamente pelas revisões de 1982, 1989 e 1997.
Seria natural, pois, que escrevesse sobre a Constituição, um documento que nos deve orgulhar por estabelecer o Estado de Direito democrático e com ele, logo no artigo 1.º, a luta pela “construção de uma sociedade livre, justa e solidária” e, no artigo 7.º, n.º 1, a submissão de Portugal nas relações internacionais ao princípio da solução pacífica dos conflitos internacionais.
Mas como pode esquecer-se, neste dia, o momento que atravessamos com correntes políticas que se empenham em construir sociedades baseadas na competição, no individualismo e na submissão dos mais fracos ao poder dos mais fortes?
E como podem esquecer-se as muito perigosas guerras que, entre outros lugares, se travam na Europa (Ucrânia) e no Médio Oriente (Irão, Palestina e Líbano) impostas com toda a ferocidade por quem tem enorme poder militar?
Nestas circunstâncias, a nossa atenção dirige-se para o Papa Leão XIV que, no Domingo de Ramos (29.3.2026), teve bem presente este mundo perigoso e disse com muita veemência na homilia:
"Irmãos, irmãs, este é o nosso Deus: Jesus, Rei da paz. Um Deus que rejeita a guerra; que ninguém pode usar para justificar a guerra; que não escuta mas rejeita a oração de quem faz a guerra, dizendo: «Podeis multiplicar as vossas preces, que Eu não as atendo. É que as vossas mãos estão cheias de sangue»."
E ainda convidando a olharmos para Jesus, "que foi crucificado por nós, vemos os crucificados da humanidade" e, assim, mulheres e homens feridos, "sem esperança, doentes, sozinhos". Mas, "sobretudo, ouvimos o gemido de dor de todos aqueles que são oprimidos pela violência e de todas as vítimas da guerra. Da sua cruz, Cristo, Rei da paz, ainda clama: Deus é amor! Tende piedade! Deponde as armas, lembrai-vos de que sois irmãos!".
Os sanguinários senhores da guerra da Rússia, com a benção da Igreja Ortodoxa; os sanguinários senhores da guerra dos Estados Unidos da América, que estão sempre a invocar o nome de Deus e a fé cristã; e os sanguinários senhores da guerra de Israel, na Terra Santa, são a imagem viva de ofensas a Deus e aos homens. Têm as mãos cheias de sangue e não se importam. Vencer os outros, mesmo matando e ferindo inocentes, é o seu lema. Esquecem que não há razões que justifiquem uma guerra.
Estamos ao observar tudo isto a ouvir, nesta Semana Maior, Jesus a orar: “Perdoa-lhes, Pai, porque não sabem o que fazem”.
