A lição de Dali
O ritmo comum dos dias, no plano individual como no respeitante aquilo que o planeta Terra exala, é marcado por muitas recorrências. E a tranquilidade funda-se também nisso, agradece as âncoras de estabilidade.
Mas, de quando em vez, manifestam-se ruturas, acelerações bruscas, ora benévolas ora perturbadoras, ou recuperam-se perspetivas valiosas e criativas.
O quadro “Cristo de São João da Cruz” (1951), do pintor espanhol Salvador Dali, peça singular do espólio do Kelvingrove Art Gallery and Museum, na cidade de Glasgow (Escócia), é um notável exemplo de recuperação, e superação, de perspetivas olvidadas. Inspirando-se no esboço de um desenho do século XVI, da autoria do frade S. João da Cruz, também espanhol, e impulsionado por um sonho, segundo o próprio, Dali pintou a cena da crucificação de Cristo de uma forma atípica, sumamente bela e surpreendente, como só um genial pintor conseguiria. Ao contrário das representações tradicionais em que a crucificação de Cristo é construída na perspetiva de alguém que se encontra num plano inferior, neste quadro o observador, como........
