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Lisboa: o porto seguro de ontem e de hoje

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20.04.2026

Sabe o que muitos intelectuais e artistas de renome mundial como Hannah Arendt, Marc Chagall, Max Ernst e Marcel Duchamp têm em comum?

Todos eles fugiram do regime nazi durante a Segunda Guerra Mundial, partindo em viagens transatlânticas a partir dos cais de Lisboa.

Estavam entre milhares de refugiados que passaram pela cidade a caminho da segurança. Portugal manteve-se neutro durante a guerra, e Lisboa tornou-se a última paragem europeia antes de chegar às Américas.

O artista português de graffiti de renome mundial Vhils imortalizou mais tarde um desses momentos num mural, baseado numa fotografia icónica de Roger Kahan. Mostra uma mulher de meia-idade, sozinha, mergulhada em pensamentos, com o rosto marcado por traços de tristeza. Veste chapéu e casaco pretos, sentada sobre a sua mala, ao lado de uma caixa de correio, à espera no cais de Alcântara.

A mulher permanece desconhecida, mas, através da obra de Vhils, já não é invisível, como o próprio fotógrafo Kahan, que viveu em Lisboa durante meses enquanto aguardava que os seus documentos fossem aprovados antes de embarcar num navio para Nova Iorque.

E, mais uma vez, nestes dias, Lisboa parece um porto seguro numa época conturbada.

O jornalista Ferreira Fernandes, autor de Cadernos do Arquivo sobre Kahan, disse à Mensagem de Lisboa que “aqueles com mais meios financeiros conseguiram fugir, vindo para Portugal”.

A história, ao que parece, está a repetir-se.

O número de residentes estrangeiros aumenta de dia para dia. Há cerca de 250.000 oriundos do subcontinente indiano, nepaleses, indianos e........

© Diário de Notícias