A Europa e a democracia: a dupla crise da indiferença e da dependência
Dir-se-ia que a Europa está a atravessar um período de crise. Numa boa parte da UE, os cidadãos parecem ter perdido a confiança na classe política e nas instituições. A razão é clara: falta de resposta satisfatória às questões sociais consideradas essenciais. Nestas incluem-se a habitação a preços acessíveis, o mau funcionamento crescente dos serviços públicos, sobretudo nas áreas da Saúde, da Educação, da Justiça e da Segurança, e o oportunismo político. De uma maneira mais genérica, a tudo isto soma-se o impacto negativo do aumento do custo de vida, que aparece ligado a decisões tomadas no outro lado do Atlântico. Na perspetiva de muitos cidadãos, os dirigentes parecem carecer de sensibilidade e de coragem.
Quando a esperança se perde, a democracia não colapsa – deteriora-se silenciosamente. O pensador Byung-Chul Han, alemão de origem coreana, diz que as nossas sociedades atingiram uma fase de “cansaço”: os cidadãos estão saturados, esmagados e alienados pelo fluxo digital. Sentem-se isolados e incapazes de mobilizar a energia necessária para proceder às mudanças que a política exige. A incompetência das instituições e a incoerência dos políticos empurram os cidadãos para o egocentrismo, para a gestão solitária da sobrevivência, para a retirada da esfera pública. Quando o Estado falha, cada indivíduo fecha-se no seu próprio microcosmo. A política deixa de ser um espaço onde se constrói a esperança. É, para muitos, apenas um ruído distante.
A desinformação digital é um dos instrumentos da erosão........
