Ode aos (verdadeiros) carros
Houve um tempo, não muito distante, em que bastava um piscar de olhos, uma sombra projetada no asfalto ou um feixe de luz ao longe para sabermos exatamente quem se aproximava. O recorte de um capot ou o traço da linha lateral não eram apenas metal moldado ao acaso; eram uma assinatura. Hoje, dou por mim a olhar para as estradas e a sentir que fomos todos convidados para um baile de gala onde, ironicamente, toda a gente decidiu vestir o exato mesmo fato cinzento.
É prático e funcional, sem dúvida. Mas é, acima de tudo, mortalmente aborrecido.
A velocidade não é o problema, nem sequer o silêncio. O verdadeiro drama é que os carros estão a perder o seu sotaque.
O luxo e a paixão automóvel sempre viveram da sua geografia e do seu feitio. Um Aston Martin nunca precisou de gritar para dominar uma sala; a sua elegância britânica, feita à medida, sempre escondeu uma........
