O homem da maratona
Na madrugada de domingo para segunda-feira de 13 de agosto de 1984, tinha 16 anos e às 3h00 da manhã estava mais acordado do que alguma vez estivera. Se me estiver a ler e tiver mais ou menos a minha idade, aposto que a sua espertina era igual à minha.
Há momentos em que os países se juntam para celebrar um destino comum, uma cultura que une e identifica, um modo de viver e de sentir. Somos portugueses e naquele dia, incrivelmente distante, mas tão próximo, as janelas abriram-se e ouvimos em cada partícula de território gente feliz a gritar o nome de um homem, de um português: Carlos Lopes.
Nunca acontecera uma medalha de ouro em Jogos Olímpicos para Portugal. E logo na Maratona, a prova das provas, a corrida que fechava os Jogos de Los Angeles, que fecha as Olimpíadas.
Não há como explicar de outra maneira, acredito que existem momentos mágicos em que nos encontramos com o nosso próprio destino. Carlos Lopes forçou-o, arrombou-o com uma autoconfiança providencial, como se a sua vitória........
