A regionalização que falta fazer
As recentes intempéries, com vítimas mortais, centenas de feridos, desalojados, concelhos em Estado de Calamidade e milhares de clientes da E-Redes sem eletricidade, voltaram a expor a vulnerabilidade do país, não apenas perante o clima, mas perante as suas próprias fragilidades institucionais. Incêndios, cheias e tempestades como a depressão Kristin não são episódios isolados, são testes repetidos a um modelo de Estado excessivamente centralizado e estruturalmente desarticulado.
Portugal continua sem cumprir plenamente a promessa constitucional de regiões administrativas. Entre um Estado Central distante e municípios com escala limitada, existe um vazio de governação. Esse vazio torna-se crítico em matérias como proteção civil, ordenamento florestal, gestão de recursos hídricos, mobilidade ou planeamento energético. São domínios que exigem uma escala intermédia, suficientemente ampla para coordenar políticas estruturantes e suficientemente........
