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Escrever o mundo

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08.07.2026

Nenhuma escrita se pode alhear inteiramente do mundo, como dentro de uma bolha insonorizada e assética. Algumas tentativas que foram sonhadas de uma escrita autotélica, virada completamente para si própria e para as suas virtualidades, acabam por responder ou ao gesto de Baudelaire de recusa da modernidade ou ao desejo utópico de Flaubert de uma “escrita sobre coisa nenhuma”, uma recusa do mundo que é uma outra forma de a ele estar atento.

No nosso melhor romance contemporâneo, de Maria Velho da Costa a Teolinda Gersão e Lídia Jorge, de Saramago e Lobo Antunes a Mário Cláudio, as janelas estão abertas, em todas estas escritas, para o mundo e seus desconcertos, no dizer de Camões.

Lídia Jorge, agora........

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