Como um escrito na areia
A dificuldade da crónica está (descubro-o agora) em manter um tom de conversa cordial e próxima, sem cair na armadilha das confissões pessoais e íntimas, que estão naquela zona do que se não pode escrever, mas que, como tudo o que se não pode fazer, constitui uma tentação permanente.
Afasto portanto da cena destas crónicas os meus males, vividos e (mais ou menos) sentidos, e descrevo a minha mente, hoje, na frente da crónica por escrever, como um antigo Ferragosto (15 de agosto) que, ainda jovem, fui surpreender em Roma.
Nunca tinha visto uma cidade tão deserta de gente, tão fechada para os comércios, tão calada no meio de dois verões. Nada funcionava, mas não era preciso que funcionasse. “É Ferragosto” justificavam-se os raros passantes.
Eu não creio que hoje seja possível, em Roma ou em qualquer outro lugar, um tão........
