menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Enquanto Trump age na Venezuela, a Europa não sabe sequer o que quer ser

9 0
08.01.2026

A captura de Nicolás Maduro e a operação norte-americana que a tornou possível não podem ser lidas apenas como um evento. Representam a materialização de uma doutrina: maximizar o efeito de poder, minimizar a exposição, e manter o controlo narrativo interno. A decisão de Donald Trump de não estacionar tropas em território venezuelano não é um pormenor táctico — é o centro de gravidade político de toda a estratégia.

Nos últimos dias, a administração norte-americana descreveu a ação como uma operação limitada, evitando cuidadosamente o enquadramento de "invasão". Em simultâneo, Trump multiplicou afirmações maximalistas sobre "estar no comando" e sobre as exigências que faria a Delcy Rodríguez, agora figura central do arranjo interino em Caracas. A contradição — pouca presença no terreno, retórica grandiosa — é deliberada. Estamos perante um modelo de coerção à distância como substituto da ocupação.

O instinto político de Trump. Trump governa com um instinto constante: vitórias rápidas, visíveis e pouco custosas. O risco que procura evitar não é apenas militar; é sobretudo político. Baixas elevadas e prolongadas em combate urbano ou guerra irregular são quase impossíveis de justificar perante o eleitorado norte-americano sem um objetivo existencial claro. Uma ocupação teria de lidar com colapso institucional, criminalidade organizada, redes armadas e fragmentação política — criando um ciclo de "mais tropas para estabilizar" com custos humanos e........

© Diário de Notícias