A herança de António da Cunha Telles
Estreado esta semana nas salas de cinema, Cherchez la Femme, derradeiro filme de António da Cunha Telles (1935-2022) é um verdadeiro óvni. Por ser um filme póstumo? Sim, é um facto: o realizador trabalhava na respetiva pós-produção quando faleceu, tendo sido finalizado por Pandora da Cunha Telles, sua filha, e André Rosa Carvalho. O certo é que essa condição póstuma está longe de ser um dado essencial para lidarmos com a sua estranha, porventura incómoda, sedução.
Sentimos a tentação de encerrá-lo na categoria dos “filmes-testamento”, o que talvez seja inevitável: o fecho de um ciclo temporal tende a favorecer a ideia de que o silêncio brutal da morte se transfigura numa “mensagem” capaz de transcender as fronteiras do tempo. Ainda assim, semelhante hipótese satisfaz-se com um enquadramento fúnebre que não esgota,........
