Terrenos “não-estratégicos”: e se afinal não o forem?
Há duas discussões escondidas na proposta aprovada no início de julho pela Câmara de Lisboa, que autoriza a venda de dez terrenos municipais por um valor-base de cerca de 59 milhões de euros. E convém não as confundir.
A primeira é legítima. Se um terreno está, de facto, sem uso há décadas, sem programa municipal que o reclame, discutir a sua venda é uma questão de gestão de património, sujeita a escrutínio sobre o preço, o destino da receita e a oportunidade. É um debate técnico, por vezes incómodo, mas legítimo. As câmaras vendem património; o próprio PS o fez em Lisboa, em Entrecampos, sempre associando a venda a um destino claro: financiar diretamente habitação........
